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domingo, 18 de abril de 2010

O Crime Compensa

THEÓFILO SILVA
Reprodução da Internet
“Podem as maldições atravessar as nuvens e penetrar nos céus?” pergunta lady Anne, esposa de Henrique VI, rei da Inglaterra, destronado e assassinado a mando dos York durante a Guerra das Rosas. A pergunta é de Shakespeare, claro.
A sentença tem quatrocentos anos e foi escrita numa época em que praticamente ninguém duvidava da existência de Deus. O que não impedia que a maldade fosse praticada amplamente. Imagine, então, nos dias de hoje em que a crença em Deus é questionada. Nesse caso a pergunta fica assim: podem as petições atravessar as portas e penetrar nos tribunais? A resposta é: podem, mas só se você puder pagar advogados caros.
O crime compensa, foi mais ou menos isso que ouvi numa mesa de um restaurante ao lado da minha. Um sujeito, já pintando os cabelos de branco, dizia: “o que é passar dois ou três meses na cadeia e depois ficar trinta anos só contando dinheiro, andando de Mercedes, dormindo com a mulher que quiser, bebendo o vinho que escolher e viajando pra qualquer lugar do mundo”. O outro completou: “Sim, mas tem que ser muitos milhões senão não compensa. Roubar mixaria”?!
Vejam o que aconteceu em Brasília esta semana. Um sujeito saiu do presídio, após uma estada de dois meses, e assumiu o mandato de deputado. Esse fato demonstra o nível de perversão a que o Brasil chegou. Um legislativo desses tem razão de ser? Esse sujeito não deveria ser proibido pela lei, por seus pares, por alguém de ostentar o título de legislador? Presídio virou escola de Político? Que país é esse em que um presidiário que está prestando contas com a lei venha a fazer leis? Ou é por que leis que não são obedecidas devem ser feitas por gente desse tipo mesmo?
O Supremo Tribunal Federal continua com o princípio de não condenar ninguém. Nunca o fez nos últimos quarenta anos. Como aceitar que o STF permita que um sujeito, cujo nome é sinônimo de roubar, cheio de processos, procurado pela Interpol em 182 países, permaneça impune, sem uma única condenação, zombando da lei. A liberdade desse indivíduo e sua condenação no resto do mundo desmoraliza nossa justiça. É bom mesmo que ele fique solto, para não esquecermos de que não existe justiça para Políticos no Brasil.
Nossa justiça atinge apenas os pobres que não têm dinheiro para pagar advogado. Como refutar o sujeito que estava na mesa ao lado? Se não há punição, eu vou ter medo de quem? Dos céus! Cadê a espada divina? Quantos ladrões de dinheiro público estão condenados e presos. Dez? Tolice. Existem dezenas de milhares “se dando bem”.
Basta ver a grande quantidade de homens públicos morando em casas caríssimas, andando em carros vistosos e mandando seus filhos para os EUA. “Depois de dois anos, todo mundo esquece! O dinheiro resolve tudo. O resto é bobagem”. Dizem os corruptos. “O que importa é minha família e as ‘verdinhas’! O resto que se lasque”.
É possível que, Tímon personagem de Shakespeare, tivesse razão, quando disse: “Roubai, servidores de confiança! Vossos sisudos senhores são ladrões de mangas amplas que saqueiam com a autoridade da lei”!
Que mais posso dizer? Olhai a vossa volta.

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